Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Xamanismo a busca da definição


A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO

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Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.
A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.

Leia mais em Mais Informações


As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.

Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.
Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.
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Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado,Shamanism:The Beginnings Of The Art.
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A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.
O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.
Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.
Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.
No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.
Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.
O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.
A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.
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O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.
Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.
O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.
O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.



Paz Amor e Harmonia 
Emidio de Ogum 
http://espadadeogum.blogspot.com
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publicado por espadadeogum às 22:30
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Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.
A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.

Leia mais em Mais Informações


As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.

Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.
Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.
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Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado,Shamanism:The Beginnings Of The Art.
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A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.
O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.
Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.
Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.
No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.
Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.
O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.
A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.
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O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.
Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.
O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.
O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.



Paz Amor e Harmonia 
Emidio de Ogum 
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A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO

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Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.
A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.

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As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.

Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.
Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.
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Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado,Shamanism:The Beginnings Of The Art.
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A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.
O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.
Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.
Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.
No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.
Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.
O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.
A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.
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O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.
Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.
O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.
O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.



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Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.
A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.

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As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.

Religião da Idade da Pedra

Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.
Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.
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Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado,Shamanism:The Beginnings Of The Art.
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A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.
O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.
Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.
Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.
No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.
Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.
O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.
A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.
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O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.
Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.
O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.
O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.



Paz Amor e Harmonia 
Emidio de Ogum 
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

Xamanismo entenda um pouco aqui

CÉLULA-MATER - SIBÉRIA


A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO

O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.
Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas.
Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual.
Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo:
" As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas.
Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.
Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados.
Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável."

Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses :

  • Os Superiores

  • Os inferiores
São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste :
"Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.
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As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-Toïn-Aga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.
Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalo-tambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M
Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. "

Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.
A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky :
" Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.
há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.
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De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença.
O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.
Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso.
Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.
Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.


Sarava a todos Irmãos
Emidio de Ogum
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A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO

O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.
Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas.
Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual.
Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo:
" As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas.
Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.
Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados.
Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável."

Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses :

  • Os Superiores

  • Os inferiores
São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste :
"Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.
img
As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-Toïn-Aga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.
Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalo-tambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M
Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. "

Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.
A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky :
" Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.
há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.
img
De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença.
O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.
Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso.
Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.
Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.


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Xamanismo entenda um pouco aqui

CÉLULA-MATER - SIBÉRIA


A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO

O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.
Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas.
Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual.
Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo:
" As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas.
Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.
Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados.
Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável."

Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses :

  • Os Superiores

  • Os inferiores
São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste :
"Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.
img
As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-Toïn-Aga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.
Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalo-tambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M
Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. "

Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.
A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky :
" Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.
há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.
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De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença.
O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.
Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso.
Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.
Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.


Sarava a todos Irmãos
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com
tags:
publicado por espadadeogum às 23:25
link do post | comentar | favorito
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Xamanismo entenda um pouco aqui

CÉLULA-MATER - SIBÉRIA


A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO

O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.
Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas.
Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual.
Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo:
" As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas.
Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.
Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados.
Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável."

Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses :

  • Os Superiores

  • Os inferiores
São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste :
"Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.
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As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-Toïn-Aga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.
Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalo-tambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M
Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. "

Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.
A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky :
" Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.
há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.
img
De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença.
O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.
Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso.
Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.
Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.


Sarava a todos Irmãos
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Xamanismo entenda um pouco aqui

CÉLULA-MATER - SIBÉRIA


A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO

O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.
Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas.
Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual.
Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo:
" As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas.
Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.
Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados.
Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável."

Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses :

  • Os Superiores

  • Os inferiores
São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste :
"Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.
img
As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-Toïn-Aga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.
Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalo-tambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M
Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. "

Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.
A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky :
" Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.
há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.
img
De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença.
O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.
Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso.
Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.
Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.


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CÉLULA-MATER - SIBÉRIA


A Sibéria e a Mongólia são as regiões tradicionais do xamanismo, ou do que alguns poderiam chamar de "Xamanismo Clássico" A Sibéria é a célula-máter do xamanismo. A própria palavra é de origem siberiana e engloba todas as práticam a Medicina da Terra.

XAMANISMO SIBERIANO

O termo xamanismo, criado por antropólogos, é um guarda chuva que compõe todas as práticas ancestrais que mantém relação com o Sagrado, divindades, espíritos, estados alterados de consciciencia. Mas, estudos mostram que o xamanismo sobreviveu desde a época do paleolítico. Nada impede de pensar que AS TRADIÇÕES SÃO MUITO MAIS ANTIGAS AINDA.
Segundo Alex de Montial, uma das mais antigas descrições do xamanismo da humanidade foi feita no século XIII por caçadores noruegueses que entraram no território da Lapônia; depois, no século XVII, o fundador da seita dos Velhos Crentes, o ortodoxo Avvakun, foi o primeiro a relatar as práticas xamânicas das populações norte-siberianas.
Montial encontrou fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul; na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático; e, enfim na Índia, no Tibet e na China. Cada uma das práticas adaptadas a cada cultura, mas com o mesmo conteúdo espiritual.
Mircea Elíade em "O Xamanismo", aborda os aspectos do xamanismo siberiano que são difusos em todo o mundo:
" As relações especiais com os "espíritos", habilidades extáticas que permitem o vôo mágico, a ascensão aos Céus, a descida ao inferno, o domínio do fogo etc., se revelam, na zona em questão, integrados numa ideologia particular que valida técnicas específicas.
Tal xamanismo stricto sensu não está restrito Ásia central e setentrional. Encontram-se isoladamente, certos elementos xamânicos em diversas formas de magia e de religião arcaicas; é grande o interêsse que despertam, pois mostram em que medida o xamanismo propriamente dito conserva um fundo de crenças e técnicas "primitivas" e em que medida ele inovou.
Por mais que domine a vida religiosa da asia central e setentrional, o xamanismo não é a religião dessa imensa área. Só por comodismo ou confusão terá sido possível considerar como xamanismo a religião dos póvos árticos ou turco-tártaros. As religiões da Ásia Central e setentrional extrapolam em todos os sentidos o xamanismo, assim como qualquer religião extrapola a experiência mística de alguns de seus membros privilegiados.
Os xamãs são eleitos e, como tais, têm acesso a uma zona do sagrado inacessível aos outros membros da comunidade. Suas experiências extáticas crescem, e ainda exercem, poderosa influência sobre a estratificação da ideologia religiosa, sobre a mitologia e os ritos das populações árticas, siberianas e asiáticas não são criações de seus xamãs. Todos esses elementos são anteriores ao xamanismo ou, pelo menos, são paralelos a ele, no sentido de que são produto da experiência religiosa geral, e não de determinada classe de seres privilegiados e extáticos. Ao contrário, observa-se freqüentemente o esfôrço da experiência xamânica (isto é extática) para expressar-se por intermédio de uma ideologia que nem sempre lhe é favorável."

Para Montial, a maioria dos povos politeístas siberianos, o panteão é dividido em duas grandes classes de deuses :

  • Os Superiores

  • Os inferiores
São oito os deuses Superiores e cada qual habita a um estágio da grande abóbada celeste :
"Seu rei, Art-Toïn-Aga, reside no nono céu. É totalmente insensível aos problemas humanos, assim como os outros grandes deuses, cujo temperamento tende a ser mais passivo do que ativo. A esses, o xamã sabe que seria inútil dirigir qualquer prece; quando muito ele pode, durante uma celebração ritual , praticar um sacrifício por intenção de um deus. Mas, por razões de eficácia, ele trata de preferência com deuses menores que o acompanham.
img
As divindades infernais são igualmente em número de oito, tendo à testa o Todo´Poderoso Senhor do Infinito Ulon-Toïon. embora reinando em planos subterrâneos, ele trata Art-Toïn-Aga como amigo e paradoxalmente permanente no terceiro céu, para os lados do ocidente. simboliza a existência cheia de lutas e sofrimentos inevitáveis. Mas a prova de remorsos, é ele quem concede aos homens e ao fogo e foi ele quem enviou a águia para aliviar-lhes as provações. Foi ele ainda quem criou as florestas, os animais e os bosques. Ao seu redor gravita uma multidão de espíritos maus, com os quais o xamã mantém relações familiares, como o faz com deuses celestes menores. Tendo em vista a ambivalência bastante complexa dessa hierarquia divina, compreende-se por que o xamã vai servir, ao mesmo tempo,às entidades Superiores e as Inferiores, que não podem ser qualificadas fundamentalmente más.
Assim, graças as suas experiências estáticas, o xamã é o único ser capaz de penetrar no mundo subterrâneo dos espíritos errantes e dos demônios. Ali, sobrevoando em seu cavalo-tambor um imenso e consistente nada, povoado de ossos e de cadáveres de xamãs malogrados, ele vai zombar da morte e antecipar suas armadilhas. Para ele cada viagem ao inferno pode ser a última, pois, mesmo que conheça bem essas regiões proibidas, o risco de aí perder-se permanece grande. Na maioria das vezes ele tem a missão de procurar a alma de um doente capturada pelos demônios; com a ajuda de seus espíritos auxiliares, que o acompanham por toda a parte de seu transe, ele deve suborná-la, enganá-la , convencê-la e capturá-la para fazê-la reintegrar o corpo de seu paciente. M
Ma há também o psicopompo:pede-se por vezes para companhar a alma de um defunto ao Reino das sombras, de tal sorte que ela não venha incomodar a família e vagar à noite em busca de sensações antigas. "

Entre os povos da Sibéria e da Mongólia, o Universo é concebido como um organismo vivo. A estrela polar era unhas celeste. Os xamãs altaicos decoravam seus tamborres com os símbolos de Vênus e da Constelação da Ursa Maior. Para os xamãs buriatas a Arvore do mundo estava conectado com o Rio do Mundo que interligava todos os três mundos. Na cosmologia, o universo está também associado com animais , tais como os alces o Mestre dos Animais.
A cosmologia siberiana Universo tem um tripé composto do alto. Abaixo Piers Vitebsky :
" Os povo siberianos acreditam tradicionalmente que o mundo se divide em três níveis. os seres humanos vivem no nível médio, mas o mundo superior, no céu, é atingével por intermédio de um pequeno orifício. Este mundo tem uma superfície sólida (até é povoado por animais) e divide-se em vários níveis. os caçadores do extremo norte acreditavam que havia apenas três, mas mais a sul, em resultado da influência dos impérios e das cortes próximas, muito mais se consideravam, pensando-se que o governante supremo Bai Ulgen, vivesse no nono ou sexto nível. do mesmo modo, o mundo inferior encontra-se dividido em diversos níveis e era freuentemente considerado o reino dos mortos. Estes outros mundos eram parcialmente como os nossos, com montanhas com rios e com criaturas. Os Nganasãs estavam convictos de que o mundo inferior era muito frio, e vestiam os mortos com peles próprias para o inverno. os Iacutos, pelo contrário, pensavam em que o céu é que era frio, e, por vêzes, os xamãs regressavam de uma viagem até ao céu totalmente cobertos por cristais de gelo.
há vários tipos de xamãs, ate no mesmo acampamento. uns eram curandeiros, outros descobriam a caça, outros ainda afastavam os maus espíritos ou entravam em contato com os mortos. a idéia do xamã puro ou ideal, tal como a apresentada por Elíade torna-se cada vez mais difícil de sustentar em qualquer pesquisa nesta região social e ecologicamente diversificada.
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De um modo geral, segundo Piers, há duas grandes tendencias que constituem o padrão religioso da região. a que sem duvida tem mais atraido a atenção apresenta um xamã que participa nas forças imanentes do mundo, quer sejam humanas, animais ou elementos como água, o vento. Neste tipo de xamanismo, o xamã se transforma em qualquer coisa para além dele próprio, como, por exemplo, num animal. Estes xamãs são capazes de viajar até o céu, geralmente com a finalidade de alterar uma situação desfavorável, como um doença.
O outro tipo associa-se com o culto do céu e montanhas. Os locais de culto, constituidos por um amontoado de pedras com um pau vertical no cimo, mantém-se populares e designam-se por oboo na Mongólia e regiões vizinhas. os xamãs de segundo tipo raramente entram em transe e, em vez disso, concentram-se na oração e no sacrifício. estes xamãs não se transformaram em animais nem viajam até o céu. Entre os Buriatas e os Iacutos, as diferenças correspondem a uma classificação nativa dos xamãs, em brancos e pretos. Falndo de um modo geral, os xamãs pretos entram em transe e contatam com espíritos do mundo subterrâneo e da doença, enquanto os xamãs brancos não entram em transe, mas invocam bençãos para os homens e para os animais domésticos, concedida pelos deuses e pelos espíritos do mundo superior. Estes xamãs brancos correspondem ao que noutras partes do mundo se designa por sacerdotes.
Quando a religião está intimamente relacionada com a ecologia, as alterações ao meio ambiente e ao modo de viver são acompanhadas de alterações nas estruturas religiosas e no comportamento. entre as pequenas tribos de caçadores de renss e de pastores, como sejam os Evencos e os Iucagires no norte e no nordeste da Sibéria, o xamã era um chefe de clã e negociava com espíritos sobre as almas dos animais que iriam ser caçados. para os lados do Noroeste e por exmplo entre os Nganasãs, o xamã estava menos ligado ao clã, visto este se encontrar mais disperso.
Na costa do pacífico, entre os Tchuktcis e os Coriaques, o clã era fraco e as familias podiam executar alguns dos seus próprios ritos xamânicos. Onde houvesse xamãs profissionais estes estavam relativamente pouco ligados aos grupos sociais e executavam truques particularmente espetaculares a fim de conservar os seus clientes.
Era muito diferente p contexto do xamanismo no Sul da Sibéria e na mongólia. As grandes manadas davam origem a comunidades maiores e clãs fortes. Além disso a influência do budismo, desde a Idade Média para cá, conduziu a uma cosmologia mais elaborada, e o xamanismo estava mais fortemente institucionalizado. Além de curandeiros os xamãs serviam de sacerdotes que realizavam sacrifícios. Na Mongólia e na Sibéria do Sul, o xamanismo competia com o budismo tibetano, designado por lamaísmo.


Sarava a todos Irmãos
Emidio de Ogum
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publicado por espadadeogum às 23:25
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