Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Feitura de iniciação ao sacerdócio no Candomblé



O ritual de feitura de iniciação ao sacerdócio no Candomblé recebe vários nomes; fazer o santo, fazer a cabeça, deitar para o santo, oba baxé ori ou simplesmente oro, que é sacrifício e consagração. A pessoa que se inicia no Candomblé torna – se adoxu, ou seja, passa a possui oxu, que é o canal de comunicação entre o iniciado e o seu orixá. Todo iniciado no Candomblé, toda pessoa “feita no santo” doneófito ao sacerdote é adoxu.
            Feitura representa um renascimento; é o reconhecimento e a admissão do ori escolhido no orum. É o mesmo que entregar a cabeça (principio da individualidade) ao orixá (o deus maior de cada ser), permitindo que os deuses conduzam sua vida e seu destino. A feitura é um divisor de águas na vida será novo, inclusive o seu nome, pois todo iniciado recebe um ORUKÓ, ou seja, um nome dado por seu orixá e com o qual passa a ser chamado na comunidade de Candomblé.

Leia mais em Mais Informações



            A feitura de santo implica um período de reclusão geralmente de 21 dias. Nesse prazo serão realizados os ebós, as oferendas a Exu e aos ancestrais, o bori, todo aprendizado em relação a religião: as rezas, os cânticos, as danças etc., e por fim o oro, ritual no qual, na maioria das vezes, o filho-de-santo tem seus cabelos raspados e recebe oxu, o kelé, os Ikan, Mokan, os Delogum, o xaorô, o Ikodidé e passa pelo ritual de efun (no qual seu corpo é marcado por pintas de giz), que se repetirá pelos sete dias subseqüentes. O orixá do noviço é assentado e recebe o sacrifício de animais. O noviço, chamado de iaô (que é uma redução do nome iawórisà), é apresentado à comunidade sete dias de odoxu.
            A festa em que iaô é apresentado à comunidade é popularmente conhecida como saída de iaô e reconstitui em suas três etapas fases da concepção e do nascimento. Sempre acompanhado de autoridade como Ia quequerê e a Ajibioná (a que conduz ao caminho do nascimento), o iaô vem receber as devidas homenagens. A esteira (enin) é estendida na porta principal do barracão para que o iaô faça sua reverência (adobá): primeiro saúda o mundo, no qual viverá os dias vindouros tendo como mentos o seu orixá; voltando – se para o centro do barracão, reverencia o Ari-axé, que simboliza a comunidade, a qual apoiará em todos os seus passos, a sua grande família; finalmente, prosta –se em frente aos atabaques, saudando as autoridades, todos os ijoyé do terreiro, com os quais muito aprenderá ao longo de seus sete anos de iniciação. A cada reverência o iaô “bate pão”, ou seja, palmas compassadas. Neste ritual é acompanhada por toda a comunidade, prova de que, a partir daquele momento jamais estará sozinho.
            O momento mais esperado de saída de iaô, quando o orixá anuncia o nome da iniciação de seu filho. É a partir desse momento que começa a contar a vida co neófito na religião. É um momento de muita alegria, no qual a comunidade recebe um novo membro. É escolhido um integrante da comunidade ou um visitante ilustre para ser padrinho do iaô (babá-orumkó) e este pergunta:

-         Orúku ti Íyòwó? (QUAL O SEU NOME IAÔ?)

Ele terá a grande honra de ser o primeiro a saber do novo filho-de-santo e depois pedir ao orixá que anuncie a todos. Então, girando em torno de si o orixá fala:
-         Ode Kojá!!! (O CAÇADOR DESTEMIDO).

O babalorixa proclama:
-         Ode Kojá, kú ilé! (Ode cojá seja bem vindo a essa casa).
A comunidade em torno do mais novo membro comemora feliz:

            Wá iná, iná
        Ki mi pa Odó
        Odé Kojá, kú ilé

VENHA LUZ LUZ
QUE LOUVAMOS
TRAGAM O PILÃO
(símbolo da comunidade)
ODE KOJÁ, SEJA BEM VINDO
A ESTA CASA


            Vale dizer que transe não é imprescindível para que uma pessoa seja iniciada como odoxu, pois, independentemente  de se manifestar o orixá está em cada um de seu filho. Isso é muito importante, porque só os odoxu podem assumir determinadas funções sacerdotais, como os cargos de ialorixá ou babalorixa. Sendo assim, uma pessoa que tem em seu odu a missão sacerdotal, incorporando ou não o orixá, deve se iniciada como adoxu e nunca como ogã ou iquédi, que já são ijoyé natos e jamais poderão entrar em transe de orixá.

            Como foi dito anteriormente, algumas pessoas não precisam ser raspadas ao se iniciarem. Esse é o caso principalmente das crianças que nasceram fadadas à morte, mas venceram o trágico destino (abiku). Existe uma graduação delas que considera as especificidades de seu nascimento. Por exemplo: as crianças que nasceram com pelos no pés, com o cordão umbilical em volta do pescoço, depois de vários abortos, que foram abandonados ao nascer ou cujo as mães morreram ao dar a luz – neste último caso, se abiku for indevidamente raspado pode levar o seu pai – de – santo ( ou seja, aquele que lhe deu a vida na religião) à morte. É evidente que todo natimorto é abiku.

            Ao contrário do que se pode supor, a iniciação não se resume aos 21 dias de reclusão. Na verdade ela dura sete anos e neste período o iaô aprenderá muitas coisas e reforçará os seus votos nas obrigações de um ano e de três anos. A primeira comemora, “quando a criança começa a andar”: a segunda está relacionada ao cumprimento da metade do ciclo de iniciação. Findos sete anos, após realizar suas obrigações, o iaô passa à categoria de ebômi (egbomin), me está pronto para assumir funções sacerdotais dentro da comunidade ou formar seu próprio terreiro, tornando – se um babalórixa.


Paz Amor e Harmonia
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com
tags:
publicado por espadadeogum às 21:48
link | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


.posts recentes

. Filhos de Ogum em 2015

. Oração para Ogum regente ...

. Simpatias para o ano novo...

. Tatuagem de caveira

. Previsões para 2015 Orixá...

. Tata Caveira

. Pai Nosso em Aramaico

. Água e a espiritualidade ...

. Oya Tempo

. Linha do Oriente na Umban...

.arquivos

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub