Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

A Oração de Youssou


Numa aldeia africana, muito afastada da cidade, morava um garotinho. Seu nome era Youssou. Todos os dias, os jovens de sua aldeia saiam com seus pais para o trabalho nos campos. Youssou não gostava de ficar sozinho na aldeia e sempre pedia à sua mãe para ir junto com seu pai, mas ela dizia: “Não. Você ainda é muito pequeno para o trabalho no campo.” Youssou ficava triste, pois não gostava de brincar sozinho e sabendo de sua tristeza seu pai lhe trouxe um cãozinho muito brincalhão. Youssou ficou contente, pois agora tinha um amigo para brincar. Vendo sua alegria seus pais também pensaram: “Youssou, agora, não ficará triste!”

Todas as manhãs, assim que os adultos saiam em companhia dos jovens. Youssou assobiava e o seu cãozinho entrava correndo pela cabana, subia em cima de seu peito, lambia-lhe as bochechas e latia, convidando-o a sair e brincar.

Certa manhã, Youssou assobiou e o cãozinho não veio. Youssou ficou deitado, pensando, pensando, pensando, até que resolveu se levantar. Por que será que seu cãozinho não veio quando ele assobiou? Saiu para fora de sua casa e viu sua mãe pegando água no poço, conversando com as outras mulheres e próximo a elas, deitado à sombra de uma frondosa árvore, o seu cãozinho. Youssou foi até ele, tocou-o, mas seu amiguinho apenas olhou para ele e deitou a cabeça sobre as patinhas. Nem sequer abanou o rabo como sempre fazia. Youssou ficou preocupado. Ofereceu-lhe leite e ele recusou. Queria apenas ficar quietinho. Aflito, Youssou chamou sua mãe. Ela examinou o filhote e disse: “O cãozinho não quer brincar nem tomar leite. Ele está doente. É preciso ajudá-lo.”

Levaram o cãozinho ao curandeiro. Ele entendia de curar homens e animais utilizando ervas. Enquanto Youssou orava, pedindo aos Orixás que curassem o seu cãozinho, o curandeiro o examinava cuidadosamente, então ele disse: “O cãozinho comeu um inseto venenoso. Está muito doente. É preciso que ele fique aqui para que eu possa ajudá-lo”. Youssou chorou muito e, por todo o caminho de volta à sua casa, pensava que os Orixás haviam rejeitado a sua prece.

Ao entardecer, quando seu pai chegou do campo, Youssou foi correndo lhe contar tudo. Seu pai disse à sua esposa: “Youssou está desolado.” A noite, assim que o pequeno deitou em sua esteira, seu pai se aproximou e disse: “Ore novamente Youssou. Confie na bondade dos Orixás”. Youssou respondeu: “Ore você, papai. Sua voz é mais forte. Eles o escutarão”. Seu pai esclareceu: “Não, Youssou. Você deve orar. Os Orixás são amigos de todos nós, homens e animais. Acredite-se merecedor do que pede.”

Youssou não gostou da resposta de seu pai. Pensava que ele não se interessava por seu cãozinho. Porém, pouco depois mudou de idéia: “Pode ser que meu pai tenha razão.” Então, pediu fervorosamente aos Orixás que trouxessem seu cãozinho de volta, sem qualquer doença.

Os dias se passaram e Youssou estava com muita saudade do seu cãozinho. Numa manhã ensolarada, viu o curandeiro caminhando em sua direção. Youssou foi correndo ao seu encontro. Ela lhe devolveu o cãozinho. Nos braços de Youssou, ele abanava o rabo e lambia suas bochechas. Youssou pensou: “Se meu cãozinho tivesse ficado em casa teria morrido, então, levantou os olhos para o céu e falou: Oh, Orixás! Perdoem-me por eu duvidar de sua bondade! Virou-se para o curandeiro e disse: “Os Orixás te abençoem!” O curandeiro sorriu e ficou ali, vendo o menino e seu cãozinho voltarem alegres para casa.


Que a Divina Luz esteja entre nós
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com
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publicado por espadadeogum às 18:22
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