Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

Grau da Mediunidade




Esta matéria é um estudo que talvez possa esclarecer a existência de Gruas Mediúnicos; Existiria uma escala de graus mediúnicos, no tocante ao poder ou capacidade dos médiuns? Poderíamos, como na Psicologia Experimental, medir a intensidade das percepções mediúnicas nos médiuns e determinar o limiar das sensações? Vários sistemas foram criados para esse fim e alguns são adotados no meio espírita por dirigentes sistemáticos. A leitura da aura é uma técnica de avaliação das condições espirituais das pessoas através da vidência. Mas é ponto pacífico no Espiritismo que a vidência não oferece nenhuma condição de segurança para servir de instrumento de pesquisa. Quanto a aura trata-se de uma irradiação perispirimal, extrapolação de eflúvios de energias que, segundo as pesquisas atuais da efluviografia, através das câmaras kirlian de fotografias, em campos imantados por alta freqüência elétrica, revelam constantes variações.
Essas variações correspondem aos vários estados emocionais da criatura, que podem alterar-se de uma maneira ou de outra pela simples tentativa de observá-las. Não há, até o momento, nenhum meio científico de se verificar objetivamente os graus de percepção mediúnica ou o grau de espiritualidade de uma pessoa. Além disso, o vidente que examina a aura de alguém sofre as mesmas variações provenientes da instabilidade psica e emocionais. Na Psicologia experimental avalia-se o grau das sensações e percepções no plano material concreto. Mas a mediunidade escapa inteiramente ao campo sensorial. Suas relações não são com a epiderme, mas com o espírito, o que vale dizer com as condições subjetivas do indivíduo. Essas tentativas de avaliação e classificação mediúnicas não passam de pretensões sem fundamento.
A mediunidade não depende de fatores orgânicos e não pode ser avaliada materialmente. Não está condicionada a peso nem medida. Determinar-lhe o grau sem esses dados é impossível. Espiritualmente não existe meios para sua avaliação. Ela escapa a todo critério quantitativo, pois não se constitui de quantidades de energia, mas de qualidade espiritual. No entanto, o método qualitativo não se aplica a ela, pois não há um fator espiritual único e permanente em suas manifestações. Estas são extremamente variáveis, pois dependem dos espíritos comunicantes. A diversidade de condições desses espíritos só poderia ser avaliada após verificações exaustivas e submetidas a cálculos diferenciais minuciosos. Mas acontece ainda que essa variabilidade não indica nada quanto ao grau da evolução do méédium.
Nenhum especialista criou ainda um sistema fundado em fatores seguros para qualquer avaliação. Tudo quanto se tem feito nesse campo é puramente hipotético. Por outro lado, há problema das condições circunstanciais do observador, em casos de vidência. O vidente joga sempre com probabilidades improváveis. Ele mesmo não pode ter certeza do que vê, pois numerosas formas de interferência podem perturbar a sua visão, como a sua maneira de encarar o ato mediúnico e a própria mediunidade, a sua posição individual no tocante aos critérios arbitrários de avaliação, as suas idiossincrasias e os seus desejos e esperanças com relação ao médium avaliado. Há outros vários fatores psicológicos e afetivos que podem também interferir no caso.
Insistimos nesses pormenores para que o leitor tenha uma idéia a respeito das dificuldades dessas tentativas que vêm sendo levadas a sério. Imagine-se ainda as questões de vaidade, de competição que fatalmente surgirão desses Processos imaginários e sem nenhuma utilidade. Os critérios psicológicos de avaliação da personalidade não podem também ser aplicados a este caso, pois na mediunidade as personalidades são multipias e inconstantes, havendo ainda o problema das personalidades anímicas, projeções de situações anteriores do médium em encarnações passadas. Onde a competência, é de quem, em nosso meio espírita, para superar todas essas dificuldades? E como entregar-se o caso a um especialista em avaliações que não conhece a doutrina nem dispõe de experiências mediúnicas?
Só poderíamos estabelecer uma escala de graus da mediunidade pelo critério objetivo da produtividade qualitativa. Os médiuns de graus mais elevados seriam os que apresentassem produção qualitativa superior, com maior proveito para o desenvolvimento do Espiritismo e maior influência no movimento doutrinário e, atingindo, ao mesmo tempo, maior interesse do público leigo. Mas então estaríamos também considerando um tipo de manifestação mediúnica como superior aos demais. Esse é o critério natural estabelecido pelo consenso do meio espírita. Essa avaliação natural dispensa medidas formais e judicativas, sempre sujeitas a enganos, erros e injustiças. Embora ocorram nele ou possam ocorrer injustiças, não se trata de um julgamento formal e pretensamente técnico.
O critério possível já foi estabelecido naturalmente, sem criar os graves problemas de excitação da vaidade dos médiuns e promoção de rivalidades no campo mediúnico. Mas como poderíamos atender, num critério formal, às numerosas áreas de serviço das manifestações mediúnicas, muitas das quais, importantíssimas, escapam ao conhecimento da maioria, ficando restritas a pequenos grupos? A alegação de que um critério de mensuração dos graus mediúnicos facilitaria o trabalho dos grupos e centros e o aproveitamento maior dos médiuns mais aptos ou flexíveis é também inútil e desnecessário. Os médiuns, como ensinou o Apóstoolo Paulo, têm suas missões específicas, seus campos próprios de trabalho.
Todos contribuem igualmente, cada qual no seu setor, para realização dos objetivos do Espiritismo, que são a elevação moral e espiritual da Humanidade, para que a Terra possa entrar no concerto dos mundos superiores. Nos centros e grupos, os médiuns tomam naturalmente os seus lugares e uns suprem, discretamente, as deficiências dos outros, segundo o critério dos guias espirituais. Essas qualificações pretensiosas de médiuns em maiores e menores, melhores e piores, a cargo de instituições supostamente dirigentes do movimento espírita, é uma invasão indébita da área que não nos pertence.
Já tivemos a oportunidade de saber o que ocorreu num centro de grande atividade, quando alguém teve a idéia pretensamente estimuladora de consultar os mensuradores de mediunidade sobre as condições dos médiuns do centro. Logo que chegaram os resultados falíveis das pesquisas das auras, surgiram desgostos e rivalidades. Ninguém perguntou pela validade desse veredicto implacável, nem se lembrou de também examinar, pelos dados comuns e informações naturais do meio espírita, qual o grau de conhecimento doutrinário, de moralidade e de fidelidade à doutrina que caracterizava os possíveis avaliadores. Pois também existe esse problema: quem, e com que autoridade moral e espiritual, está em condições de julgar o valor dos outros, e quem dispõe de autoridade espiritual para escolher os que vão fazer o julgamento?

Autoria de Herculano Pires


Que a Divina Luz esteja entre nós
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com
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